Mesmo sem querer, todos já sentimos inveja uma vez na vida. Expectativas, experiências, limitações, carências, todos esses sentimentos podem despertá-la em nós. Mas, afinal, sentir inveja é coisa de gente ruim? O Mulher Conectada conversou com a psicóloga clínica Triana Portal que explicou mais sobre este sentimento um tanto quanto polêmico.

Ela explica que se trata de algo comum, tanto que faz parte dos 7 pecados capitais. “Não há quem passe uma vida ileso a esse sentimento. Uns sentem mais outros menos, cada um lida de uma maneira. Fato é que todos nós sabemos o gosto amargo que ela tem. A inveja vai além do desejar. Porque quando simplesmente queremos algo que o outro é, ou o que ele tem, conseguimos transformar o desejo em motivação para a ação, então é algo positivo. Já a inveja, paralisa para a ação transformadora, ela mobiliza energia negativa, raiva, torna o desejo destrutivo”.

Mesmo comum a inveja pode ser tóxica. “Invade a cabeça e o coração e faz com que a pessoa desvie toda a sua energia para o outro e esqueça de si próprio. É algo que consome. As áreas do cérebro ativadas quando a pessoa tem inveja são as mesmas que provocam a dor física, podendo o desconforto da inveja ser comparado a dor o que causa muita tristeza. É uma experiência de desgosto e inferioridade frente às conquistas e felicidade alheia”.

As nossas vivências, experiências infantis, expectativas parentais vão nos moldando, deixando marcas, vazios e crenças do que é bom, do que é desejável, segundo a especialista, isso tudo é motivador da inveja. “Temos limitações, carências e projeções. Quando alguém obtém mais sucesso, status, regalias, aplausos ou qualquer outro objeto de desejo, bate um sentimento ruim”.

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Geralmente, a inveja nasce da comparação. “A gente vive isso logo na infância com os pais comparando um filho a outro. Ela tem ligação com a autoestima e necessidade de ser aceito: quanto mais carente, mais invejosa a pessoa tende a ser. A forma mais nociva de inveja é quando a pessoa não somente deseja o que o outro tem mas quer ser quem ele é”.

Quando o objeto de inveja vira obsessão, um alerta deve ser acendido. “A pessoa se pega torcendo o tempo todo para que o outro se dê mal, falando mal da pessoa sem parar, tenta, de toda forma, destruir a imagem do outro para melhorar a sua ou simplesmente por prazer. Se a pessoa fica hipervigilante monitorando cada passo do outro, se remoendo a cada sucesso e se deleitando a cada derrota dele, aí é hora de interromper esse ciclo e buscar ajuda”.

O sofrimento da inveja, segundo a especialista, é um aprisionamento que, se não cessado, vai aniquilando a pessoa, que não vive a própria vida, mas sim se torna expectadora da vida alheia. Ela lista algumas maneiras que podemos lidar com esse sentimento:

Admita a inveja: Entender o que sente, é importante interpretar o sentimento e compreender o porquê de ele acontecer.

Busque terapia: É imperativo falar sobre isso, preferencialmente como um psicólogo que pode lhe dar o devido acolhimento e ajuda-lo a organizar seus sentimentos, melhorar sua autoestima, focar mais em si e evitar comparações com os outros

Reconheça suas qualidades: Foque no seu desenvolvimento, aceite-o como é e melhore o que já tem de bom.

Entenda se a inveja é por algo que você queira, não outra pessoa: Às vezes sentimos inveja por um desejo alheio. Por exemplo, invejar alguém que toque piano porque era o sonho da sua mãe que você tocasse.

Lembre-se que a vida de ninguém é perfeita: Pode não parecer, mas todos temos problemas, fraquezas, defeitos e dores.