Pesquisa mostra como as mulheres consomem vinho

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As mulheres consomem mais vinho que os homens. Estudos indicam que a bebida está presente, especialmente, durante encontros românticos ou em alguma comemoração. Boa parte delas acreditam que ele faz bem à saúde. E engana-se quem pensa que não damos a devida importância ao vinho. Uma análise indicou que 39% das mulheres consideram a procedência da bebida “muito importante” enquanto que 50% dão importância mediana.

Segundo o estudo, a preferência das mulheres é por vinhos mais acessíveis, que giram em torno de R$ 15 a R$ 40. Além disso, elas costumam preferir (83%), vinhos produzidos a partir de uma única uva. A maioria tem preferência por vinho tinto (39%), enquanto 15% priorizam o vinho branco, 9% vinho do Porto e 3% o Rosé. Os espumantes também foram citados por 30% das mulheres entrevistadas na pesquisa.

A especialista em marketing de vinhos, Paula Daidone, explica que, durante séculos, preconceitos, tradições e práticas religiosas conspiraram para manter as mulheres longe do álcool. “O consumo de álcool por mulheres era muito mal visto e os estereótipos sociais determinavam o que podia ser consumido por nós. E o vinho era um produto socialmente aceito para o consumo feminino. O reflexo disso ainda é sentido: não sofremos julgamentos por beberem uma taça de vinho. Com isso, ele se tornou uma bebida usual entre o público feminino”.

Atualmente, a preferência está associada a outros fatores, como a saúde. “As mulheres têm maior preocupação com o que está ingerindo. O vinho é saudável, não causa inchaço e nem aumento de peso. Outra coisa é o sabor, ele não é tão amargo quanto a cerveja e não é tão forte e alcoólico quanto os destilados”.

O vinho tinto é a preferência feminina. “Mas também há um grande consumo de espumantes e um crescimento significativo do vinho rosé. Somos compradoras líderes nas categorias de vinhos orgânicos, biodinâmicos, sustentáveis, de comércio justo, e de enólogas mulheres”.

A preocupação pela procedência do vinho citada na pesquisa está ligada a nossa essência. “Temos um interesse intrínseco por conhecer a origem e história dos produtos que consumimos. Saber a história por trás do produto cria uma relação emocional com o que estamos consumindo e faz nos sentirmos parte daquilo. Há também a questão da saúde, saber a procedência nos dá maior confiança”.

Mas esse interesse pela origem da bebida tem também uma questão social. “As mulheres sentem que têm menos conhecimento sobre vinho do que o homem e por isso estão em constante busca para aperfeiçoar o aprendizado. Outro ponto é o julgamento. O próprio parceiro, marido, namorado ou até o pai desmerecem a opinião feminina. E pelo fato de nos sentirmos pouco capacitadas, buscamos por novas informações o tempo todo”.

Ela, que dá cursos sobre o tema, observa isso de perto. “Minhas alunas são a maioria mulheres, muitas revelam que decidiram se matricular no curso devido a postura dos maridos, que desmerecem a opinião delas. E essa força que elas estão encontrando para buscar conhecimento, está mexendo com o mercado de vinhos, por isso necessário que o setor abra os olhos e enxergue que o futuro do vinho está em nossas mãos”, conclui.

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