Sejam motivada pela falta de autoestima ou por sofrerem bullying, as pessoas que tem as “orelhas de abano”, cerca de 2% a 5% da população acabam por recorrer a cirurgia plástica. A otoplastia é utilizada para essa correção e pode ser feita a partir dos seis anos de idade, que é quando as orelhas chegam a quase 100% do tamanho normal.

O cirurgião plástico especialista nesse tipo de procedimento, Mauro Speranzini, explica que a correção da orelha é um tipo de otoplastia. “A palavra serve para vários tipos de cirurgias da orelha; o correto seria a cirurgia para correção de orelhas de abano.  Mas a mais comum é realizada por causa da distância exagera da orelha para o crânio, que geralmente é decorrente do apagamento parcial ou total de uma dobra da cartilagem (antélice) e do aumento da concha”.

Ele adiciona que o procedimento pode ser feito em crianças a partir de 5 ou 6 anos, quando a orelha já praticamente do tamanho adulto. “Após isso na adolescência ou na fase adulta não há um limite de idade para realizar o procedimento. A indicação para quem pode fazer é quem se incomoda com fato de as orelhas serem muito abertas. Embora haja medidas objetivas para definir a orelha de abano, na prática, é a percepção subjetiva que define se há abano ou não. O formato do rosto, o volume e penteado do cabelo e também o tamanho das orelhas podem torná-las mais ou menos evidentes”.

O especialista acrescenta que a contraindicação para o procedimento está relacionada à saúde, a pessoa que tiver algum problema que torne a cirurgia arriscada. “Algumas condições impedem temporariamente a realização da otoplastia. É o caso de infecções como gripes intensas e amigdalites. Já os portadores de males como a diabetes e hipertensão precisam ter as doenças sob controle antes de partir para o centro cirúrgico”.

Speranzini elucida que é importante falar sobre as expectativas reais do paciente. “Se a pessoa espera um resultado que não pode ser alcançado e isso ocorre em algumas situações, quando a pessoa deseja algo em que a modelagem da orelha não pode alcançar, então ela não deve fazer o procedimento”.

A cirurgia é feita após exames pré-operatórios de rotina. Eles são feitos para saber a condição de saúde do paciente. No dia do procedimento é feita a marcação e preparo do paciente médico e equipe, para a realização da otoplastia que tem duração de 2 a 3 horas. “O paciente deve estar de jejum de 8 horas. O uso de antibiótico no dia da otoplastia é aconselhável para evitar o risco de infecção local, complicação muito rara”.

Após o término da oto definitiva, é feito curativo para proteção das orelhas que deve ser mantido até o primeiro retorno pós-operatório que ocorre no dia seguinte. “O pós-operatório varia em função do que foi realizado na cirurgia, no quanto foi mexido da orelha. Mas em geral, o aspecto dela melhora em uma semana”.

Por fim, ele destaca que, após o procedimento, a cabeça é enfaixada, mas o paciente já recebe alta no mesmo dia, e só precisa retornar à clínica no dia seguinte para a retirada do curativo.  “Ao chegar em casa, o paciente poderá molhar a cabeça e lavar as orelhas com água morna ou fria e evitar secador de cabelo muito quente”.

Speranzini é responsável por algumas técnicas publicadas na literatura médica. “Elas são voltadas para a naturalidade e, principalmente, para evitar complicações. A mais importante é a diminuição do índice de recidiva, ou seja, da orelha voltar a sua posição original. Existem outras técnicas que evitam a extrusão de pontos, que é quando o ponto fura a pele e acaba causando uma ferida e eu resolvi esse problema, resolvendo também o problema do hematoma”.