68% das brasileiras estão insatisfeitas com a própria vagina

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Inúmeros estigmas podem impedir que a mulher conviva vem com a própria vagina. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Intimus em parceria com a Nielsen Brasil. A análise buscou entender como a mulher brasileira convive com sua vagina e a região íntima do seu corpo.

A Diretora de Marketing de Cuidado Adulto e Feminino da Kimberly-Clark, Fernanda Hermanny, comenta o objetivo do projeto. Ela explica que a pesquisa vem junto traz a oportunidade de questionar mais um estigma que cerca a região íntima feminina. “Queremos trazer um olhar propositivo sobre o tema. A ideia é reforçar a importância do conhecimento e da relação saudável da mulher com a região íntima”.

A pesquisa mostra que a vagina está ligada à saúde da mulher, prazer feminino, sexualidade, amor próprio. Além de aceitação, autoconhecimento, menstruação, depilação estética, empoderamento, autonomia e estigma. “Para muitas, falar sobre a própria vagina abertamente significa trazer luz a esse tema que ainda incomoda algumas pessoas e nem sempre é fácil de ser debatido”.

Os estigmas em torno da vagina e da região íntima são alimentados por conversas superficiais sobre o corpo das mulheres. “Vimos que, em alguns casos, essa cadeia de silêncio ou de diálogos superficiais é alimentada por mulheres. As mães, nesse caso, ‘escondem’ algumas faces da vagina”.

A descoberta da própria vagina

Perguntadas sobre o nome que dão à região íntima, 50% das entrevistadas a nomeiam como “vagina”. “Há ainda nomes relacionados a animais, que dão a ideia de ‘pequeno’, ‘frágil’ e ‘inofensivo’; além de outros inventados ou no diminutivo, que indicam infantilização: ‘florzinha’, ‘pepeca’, ‘pipiu’ e “periquita” também aparecem”.

Sobre o conhecimento que as entrevistadas demostraram ter sobre a própria vagina, a pesquisa mostrou que muitas ainda se confundem: 50% acharam que a imagem da vulva era uma vagina e outras 43%, ao se depararem com a vagina, acharam que era a vulva.

“Há ainda muita falta de informação sobre a região íntima por conta dos estigmas impostos pela sociedade. No meu consultório, costumo conversar muito com as pacientes para que elas saiam de lá sem dúvidas e com informações para passarem adiante também”, diz a ginecologista, obstetra e sexóloga Rebeca Gerhardt.

Saúde íntima

Frequentes ou não, muitas mulheres optam pela depilação total da vagina. E, embora algumas citem seus benefícios para a saúde, no fim, os pelos não são necessários e, para muitas, às vezes irritantes.

Em geral, a maioria das entrevistadas de 16 a 34 anos remove completamente os pelos da área íntima e, do total, 66% usam lâmina para se depilarem. Já 32% revelaram que depilam a região uma vez por semana, enquanto 24% a cada 15 dias.

Menstruação

No processo de descobertas, a menstruação aparece como o grande “grito” da vagina, que chega causando estranheza e provoca a abertura de diálogos ou uma busca mais intensa sobre a anatomia e a sexualidade femininas. Junto ao desenvolvimento do corpo, o crescimento dos cabelos e dos seios, a menstruação costuma ser a chave que desperta para a amplitude do que significa ser mulher.

Para muitas, depois da primeira menstruação, os ciclos não são momentos a serem comemorados ou de grande envolvimento. Porém, algumas trouxeram uma visão positiva da menstruação, de que “ela limpa e equilibra o corpo. É um sinal de saúde e vitalidade”.

Das entrevistadas, 50% revelam ter interesse em ler sobre as partes íntimas do corpo e o período menstrual para entender melhor como funcionam. E, para 56%, conhecer melhor o corpo pode ajudar a entender mais o ciclo menstrual e aceitá-lo melhor. Já 54% do grupo de 16 a 23 anos, apesar de não gostarem de menstruar, veem vantagens no ciclo menstrual.

Estética

Das entrevistadas, 1 em cada 4 não costuma tocar na própria vagina. No entanto, as mulheres de faixa etária mais velha, entre 35 e 45 anos, afirmam fazê-lo com mais frequência do que as mais jovens, o que mostra que a maturidade traz mais intimidade com o próprio corpo.

Porém, apesar de maior intimidade, as mais velhas apresentam maior barreira com a percepção da beleza vaginal. Pouco mais da metade das entrevistadas concorda que a vagina é bonita. Isso porque, apesar de a maioria falar da importância de reconhecer a diversidade do corpo feminino e da região íntima, o formato ou o aspecto da vagina ainda gera angústia e insegurança para muitas delas.

A pesquisa mostrou que, além de trabalhar na aceitação da vagina como ela é, algumas mulheres também precisam lidar com críticas externas, assédio e humilhação devido ao formato de suas vaginas: 68% relatam ter algo que não gostam na vagina. Os pelos aparecem com 33%, seguidos da cor (18%), cheiro (18%), aparência (17%) e tamanho (15%).

Prazer

No estudo, ficou evidente que a descoberta pelo prazer envolve dois grandes mundos: o prazer com elas mesmas e com o outro. Nesse sentido, a masturbação é uma realidade para a maioria delas e surge como um grande espaço de autoconhecimento e vivências lúdicas. E, para muitas, é encarada como a chave para ter prazer com os outros. Trata-se de um passo em direção a uma experiência sexual mais saudável e satisfatória com o outro. Sozinha ou com o companheiro, a possibilidade do prazer traz à mulher a oportunidade de se sentir viva e em um processo de eterna descoberta das potencialidades da vagina e de todo o corpo. Do total de entrevistadas, 52% se sentem confortáveis em receber sexo oral. Já 18% se sentem desconfortáveis.

Empoderamento

Apesar de a vagina ainda ser fonte de medos e ansiedades, o contato da mulher com a própria vulnerabilidade. Ademais, para muitas, é uma jornada de grande empoderamento vivida a partir do bom relacionamento com as próprias vaginas. Para algumas entrevistadas, o conhecimento abre as portas para o cuidado adequado com a saúde da região vaginal, questionando estigmas e colocando-os em contato com as experiências de outras mulheres.

“A vagina expressa uma dualidade inerente ao feminino: fragilidade e força. Mostra ao mesmo tempo a fragilidade da mulher, com seus medos, vergonha e força, com prazer e conexão. E é por meio do conhecimento e autoconhecimento que as mulheres navegam entre essas duas polaridades, atingindo um estado de autoestima positiva, quando esses dois polos estão bem equilibrados”, afirma Monica Fernandes.

Em conclusão, o estudo mostrou que as mulheres precisam superar muitos desafios e descobrir muito sobre si mesmas para chegar ao ponto da jornada que abre o acesso à liberdade, à autoestima, ao prazer e ao empoderamento. Além disso, o relacionamento com a própria vagina quase sempre reflete o que elas expressam ser na vida.

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