Ghosting: a maneira abrupta de terminar uma relação em tempos atuais

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Você já esteve em um relacionamento onde do nada a pessoa sumiu? Não atendeu mais as ligações e simplesmente parou de responder mensagens? Essa forma inusitada de terminar uma relação tem o nome de ghosting, e pode trazer consequências para a pessoa que foi deixada de lado. Para falar sobre o tema o Mulher Conectada conversou com a psicóloga clínica e colaboradora da plataforma Sexo Sem Dúvida, Desiree Carneiro.

Ela explica que terminar um relacionamento simplesmente desaparecendo pode mostrar que a pessoa tem um problema em enfrentar situações desafiadoras. “Ninguém é obrigado a estar com alguém que não queira. Mas, certamente, há formas muito mais saudáveis de finalizar uma relação – por mais que não seja haja um compromisso firmado – sem traumas posteriores”.

A especialista acrescenta que fugir de decisões é algo comum quando o indivíduo tem poucos recursos psicológicos para bancar o que deseja ou não para sua vida. “Muitas vezes o ghosting tem medo de assumir suas vontades, bem como suas necessidades. Por isso, acaba não conseguindo expressar que não quer mais o relacionamento e apenas some sem abrir diálogo”. 

Segundo Desiree, as pessoas tendem a abandonar por medo de serem abandonadas. “E isso é um esquema de abandono formado na infância. Elas entendem que sumindo antes, estão se protegendo do sofrimento de serem abandonados novamente”.

Sinais

A psicóloga explica que existem casos e casos. Mas, geralmente, a relação não foi construída com base sólida, diálogo, sinceridade, empatia, confiança e respeito. “Se o parceiro(a) evita o diálogo quando há algum problema, pode ser um sinal de um possível ghosting”.

Ela exemplifica. “Imagine que um casal que teve uma questão relacionada ao ciúme. Um dos dois simplesmente deixa o outro e vai embora. Depois volta, mas não quer conversar sobre o assunto. Esse tipo de comportamento gera um acúmulo de problemas não resolvidos e que em algum momento irão estourar”.  

Desiree lista outros sinais. “A pessoa costuma ter pequenos sumiços bem como demonstrar pouco interesse em ter o outro por perto. Além disso, todas as outras atividades parecem ser mais interessantes que estar com o(a) parceiro(a). Não dar sinal, já é um sinal”.

Para que um relacionamento não termine dessa forma, a dica é observar os sinais citados. “E tentar manter um diálogo saudável, onde ambos expressam suas expectativas e as alinham com a realidade”.

Ela frisa que relacionamento exige cuidado, atenção, afetividade, respeito e sinceridade. “Se não está bom para um, não está bom para ninguém. É imprescindível que ambos saibam das suas intenções e como está sendo a experiencia juntos. Isso evita – desde o começo – que haja expectativas irrealistas”. 

Consequências do ghosting

A psicóloga explica que, dependendo do nível de envolvimento e sentimentos, a pessoa abandonada pelo ghosting pode passar por um sofrimento muito grande. “É comum que elas que se sintam abandonadas e se culpem por isso. Além disso, elas passam a buscar erros cometidos mesmo não tendo feito algo errado. O afastamento diz respeito aos sonhos, as expectativas, aos desejos da pessoa que terminou”.  

Porém, é possível que a pessoa abandonada possa tirar lições disso. “Ela pode buscar ler a situação e perceber a necessidade de ser mais perspicaz em relacionamentos. Além disso, analisar maneiras de ter um diálogo aberto. Isso acaba se tornando um aprendizado para a vida”.

Mas ainda assim não deixa de ser uma situação com potencial de gerar várias questões para aquela pessoa. “Medo, raiva, tristeza e frustração. É completamente normal que ela se sinta assim após um término abrupto”.   

Superando um término abrupto

Por fim, a especialista explica que, mesmo alinhando as expectativas com a realidade, ainda assim, sempre existe a chance de frustração. “Não estamos no controle de tudo – e nem precisamos.  Se uma pessoa passa por algo tão dolorido como um término inconclusivo, é preciso tomar suas próprias conclusões”.

É preciso, segundo ela, exercitar a autocompaixão. “Basta se questionar: sei que não sou culpado, posso ter falhado em algum momento, como todos falham, mas sou merecedor de respeito. Quais são os aprendizados que posso formar após esse término?”.

Em conclusão, ela explica que momentos difíceis e sentimentos doloridos fazem parte da construção de quem somos. “Todos passaremos por isso em algum momento da vida. Mas passa e podemos nos tornar mais fortes, realistas e resilientes com esses percalços”.  

Quando há dificuldade na superação do término, é preciso buscar auxílio profissional. “O psicólogo é o profissional indicado para ajudar as pessoas a entenderem e conseguirem lidar com essas dificuldades de forma saudável”.   

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