Síndrome da impostora: o que é e como lidar?

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Como você lida com o seu sucesso? Muitas pessoas podem ter dificuldade em aceitar que merecem reconhecimento pelo próprio êxito. A sensação é conhecida como síndrome da impostora. Para saber um pouco mais sobre o quadro, o Mulher Conectada conversou com a psicóloga Adriana Severine.

Ela explica que a Síndrome da Impostora acontece quando as pessoas não se sentem capazes de aceitar o próprio sucesso. “Tem a sensação de ser uma fraude, pois acreditam que só ocupam a posição atual por terem enganado alguém. E ainda fazem as outras pessoas acreditarem que são mais inteligentes ou competentes que realmente são”.

Na Síndrome da Impostora a pessoa tem a percepção de estar sempre enganando alguém. “Seja seus superiores, pares, clientes e etc. Além disso, tem a ideia de que logo serão ‘desmascarados’ ou cometerão um erro muito grande por não serem competentes”.

Ela adiciona que a síndrome da impostora é causada por uma ansiedade grande e baixa autoestima. “Isso gera na pessoa uma vontade muito grande de agradar. Além disso, ela não consegue perceber que merece as coisas boas que acontecem em sua vida. A pessoa estuda, se esforça e mesmo assim acredita que suas vitórias são apenas ‘sorte’ e não fruto de sua dedicação”.

Como saber se tenho a síndrome da impostora?

Adriana adiciona alguns comportamentos apresentados pela pessoa acometida pela síndrome da impostora.

Necessidade de se esforçar demais:

“A pessoa acredita que precisa se esforçar em excesso, muito mais que as outras. Isso porque ela precisa de um motivo para justificar as suas conquistas. E ainda por achar que sabe menos que os outros. O perfeccionismo e o excesso de trabalho são utilizados para ajudar a justificar o desempenho, mas causa muita ansiedade e esgotamento”.

Autossabotagem:

“Pessoas com essa síndrome acreditam que o fracasso é inevitável e que a qualquer momento alguém mais experiente irá desmascará-lo na frente dos outros. Assim, mesmo sem perceber, pode preferir se esforçar menos, evitando gastar energia para algo que acredita que não dará certo e diminuindo as chances de ser julgado por outras pessoas”.

Adiar tarefas:

“Estas pessoas podem estar sempre adiando uma tarefa ou deixando compromissos importantes para o último momento. Também é comum levar o máximo de tempo para cumprir estas obrigações, e tudo isso é feito com o objetivo de evitar o momento de ser avaliado ou criticado por estas tarefas”.

Medo de se expor:

É comum que as pessoas com a síndrome do impostor estejam sempre fugindo de momentos em que podem ser avaliadas ou criticadas. A escolha de tarefas e profissões são, muitas vezes, baseadas naquelas em que serão menos perceptíveis, evitando ser alvo de avaliações.

Quando são avaliadas demonstram grande capacidade de desacreditar as conquistas obtidas e os elogios de outras pessoas.

Comparação com os outros:

Ser perfeccionista, exigente consigo mesmo e estar sempre achando que é inferior ou sabe menos que os outros, a ponto de tirar todo o seu mérito, são algumas das principais características desta síndrome. Pode acontecer de a pessoa achar que nunca é boa o suficiente em relação aos outros, o que gera muita angústia e insatisfação.

Querer agradar a todos:

“Tentar causar boa impressão, se esforça no carisma e necessidade de agradar a todos. São formas de tentar alcançar aprovação, e para isso pode até mesmo se sujeitar a situações humilhantes. Além disso, a pessoa passa por períodos de muito estresse e ansiedade por achar que, a qualquer momento, pessoas mais capacitadas irão substituí-la ou desmascará-la”.

Como tratar a síndrome da impostora?

A psicoterapia pode ajudar a internalizar capacidades e competências. “Isso irá diminuir a sensação de ser uma fraude. Além disso, algumas atitudes podem ajudar a controlar os sintomas, por exemplo, ter um mentor, ou alguém mais experiente e confiável para quem possa pedir opiniões e conselhos sinceros”.

Compartilhar as inquietações ou angústias com um amigo, pode ser uma boa. “Além disso, aceitar os próprios defeitos e qualidades, e evitar se comparar ao outros; respeitar as próprias limitações, não estabelecendo metas inalcançáveis ou compromissos que não possam ser cumpridos; aceitar que as falhas acontecem a qualquer pessoa, e procurar aprender com elas”.

Por fim, a especialista adiciona que ter um trabalho de que goste, proporcionando motivação e satisfação é importante. “Realizar atividades capazes de aliviar o estresse e a ansiedade, que melhorem a autoestima e promovam autoconhecimento. São exemplos: yoga, meditação e exercícios físicos. Além de investir em momentos lazer são muito úteis para o tratamento deste tipo de alteração psicológica”.

Em conclusão ela reforça a importância de buscar auxílio psicológico. “Principalmente se perceber que nada está mudando. Que não houve nenhuma melhora na mudança do sentimento com relação à percepção de como a pessoa se sente no trabalho”. 

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