Cegueira emocional: quando deixamos de enxergar o erro do parceiro

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Dizem que o amor é cego. Mas será que, de fato, quando estamos apaixonados deixamos de enxergar os erros e defeitos do outro? A cegueira emocional pode ser mais comum do que a gente pensa. Para falar sobre o tema, o Mulher Conectada conversou com a psicanalista Ângela Mathylde.

Ela explica que quando nós amamos a primeira emoção que sentimos é a paixão. “E ela, no caso, é cega. Porque nesse primeiro momento a gente tem um encantamento tão grande pela pessoa, que a gente não vê erro, defeito, falta de beleza, nada que nos faça refletir”.

Nesse momento, segundo a especialista, há um encantamento, e quando isso acontece a pessoa fica aberta à outra de uma forma intensa. “Por isso não tem senso crítico e tudo que o outro fala é o correto. anto é que, quando um terceiro faz alguma crítica, a pessoa fala ‘você é que está com ciúmes, inveja, querendo nosso fim’”.

Ademais, ela acrescenta que, nesse momento, a pessoa está encantada e sem coerência para ter uma crítica da situação. “É por isso que, vulgarmente, falamos que existe uma cegueira emocional. Mas, na realidade, é a falta de um senso crítico nesse momento de encantamento, até que essa emoção seja equilibrada”.

Passado o encantamento, há a divisão e a crítica do relacionamento. “A não ser quando a pessoa tem uma determinada patologia de dependência simbiótica, na qual não perceba que o outro existe. Só ela que existe, então, o outro tem que viver fazendo ela feliz. Isso transforma o relacionamento em abusivo”.

Como saber a com cegueira emocional me atrapalha?

Ângela explica que se a pessoa é imatura com seus sentimentos, ela não consegue lidar com críticas. “Qualquer julgamento passa a ser ameaçador e nunca é visto como construtivo, e sim destrutivo. A pessoa assim age de diferentes formas: primeiro, quer demonstrar que está no comando, mostrando para os outros que é carinhosa – uma megalomania”.

Ela acrescenta que quando o outro começa a perceber que ela é imatura nas relações e na convivência, essa pessoa começa a levantar alguns posicionamentos, tentando terceirizar problemas. “Com afirmações do tipo ‘Você não me quer, você não me ama’, trazendo um questionamento sobre o sentimento do outro. Então qualquer coisa que é falada leva a um questionamento da intensidade do amor, e não da situação pontual que deve ser mudada”.

Por fim, há os relacionamentos de dependência. “Esses em que a pessoa chega ao feminicídio, quando há aquele discurso de que a pessoa abriu mão de tudo para o cônjuge. Isso é sinônimo de imaturidade. Quando ocorre, é importantíssimo que ligue o sinal do alerta, afinal, no início tudo são flores, mas depois é que os espinhos começam a aparecer”.

Sinais da cegueira emocional

A psicanalista explica que uma pessoa acometida pela cegueira emocional tende a ficar sufocada na relação. “Quando isso acontece, a pessoa perde a liberdade de ir e vir, de opinião e de frequentar com leveza territórios que eram seus – família, trabalho, etc. Quando aparecem sinais da imaturidade, quando o diálogo se perde e só fica a cobrança”.

Ademais, quando a pessoa começa a fazer trocas e ameaças também é um sinal de alerta. “Por exemplo, quando diz algo como ‘se você não fizer isso, eu estou indo embora, porque você não me ama’. A perfeição não existe. Relacionamentos têm altos e baixos. A maturidade faz você manter os altos e estabilizar os baixos. Quando isso não acontece a agressividade vigora porque a forma da pessoa agir é infantil”.

Driblando a cegueira emocional

A especialista declara que quando a pessoa passa por esse tipo de relacionamento, ela vai demorar a sair desse processo de abuso emocional. “Ela acaba se afastando daqueles que fazem críticas porque acha que os demais não querem o bem dela. Isso ocorre porque o outro (o cônjuge) é que coloca essa posição, no intuito de desbancar essas outras pessoas para viver eternamente a situação que está vivendo”.

Em conclusão ela explica que o deve ser feito é agir como amigo e ficar ao lado da pessoa. “É preciso assistir, falar quando há algo errado e, sobretudo, colocar essa pessoa num lugar confortável, porque uma hora ela vai te procurar. Isso pode demorar, vai ocorrer somente quando a realidade se elucidar e a pessoa sair da situação de dependência”.

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