Como o anticoncepcional interfere na libido da mulher?

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Evitar uma gravidez indesejada, controlar o ciclo menstrual e até tratar algumas doenças. O anticoncepcional está presente na vida de 10% das mulheres brasileiras. No início do uso, porém, algumas podem apresentar reações como náuseas, retenção de líquido e, em alguns casos, a diminuição da libido.

A ginecologista e obstetra, Ana Paula Mondragon, explica que os contraceptivos começaram a ser utilizados nos anos 60 e trouxeram consigo uma revolução na vida sexual de todas as mulheres. “A partir daquele momento, ela passou a ter a capacidade de planejar o momento ideal para engravidar e o sexo passou a ter outra importância para além da reprodução. Ele é um ponto importante na qualidade de vida e afeta aspectos físicos e psicológicos”.

Ela adiciona que a sexualidade feminina é algo complexo, pois engloba e afeta muitos fatores, como culturais, físicos e emocionais. “As que usam o anticoncepcional podem, sim, sentir uma diminuição na libido por conta de uma redução nos níveis de testosterona levando à queda no desejo sexual, porém esta queixa deve ser algo transitório, que deve durar alguns meses, caso a queixa persista o especialista deve ser procurado”.

Ela explica que os contraceptivos são hormônios sexuais femininos, em sua maioria estrogênio e progesterona sintéticos que estão disponíveis no mercado em diversas apresentações. “Contraceptivos orais, implantes, injetáveis e anéis vaginais. Todos podem reduzir a libido de algumas pacientes. A explicação para que isto ocorra está relacionada com a redução do hormônio testosterona (responsável pelo desejo sexual) prejudicando assim a função sexual”.

As principais queixas apresentadas por usuárias de contraceptivos são corrimento, dificuldade em possuir orgasmo, diminuição da lubrificação, diminuição da libido e ardência. “Vale ressaltar que não são todas as pacientes que irão apresentar essa queixa e que cada caso deve ser avaliado de forma personalizada. Isso porque é importante excluir outras causas para a diminuição do desejo sexual, tais como: relacionamento abusivo, alterações hormonais e outras doenças, uso de outros medicamentos como antidepressivos, violência sexual prévia ou traumas psicológicos”.

A especialista adiciona que, caso a paciente apresente este efeito colateral a opção para recuperar a libido seria a troca do método. “Para as usuárias de pílula os novos compostos com estradiol natural (valerato e 17β), não diminuem tanto a testosterona e têm um efeito melhor sobre a mucosa vaginal reduzindo assim a queixa de ressecamento vaginal. Outro método seriam os DIUs, em primeiro lugar o de cobre, que é um método eficaz, livre de hormônios, sendo assim, tem menor influência sobre a função sexual”.

A outra alternativa, segundo ela, é o SIU-LNG, DIU hormonal, com um progestágeno androgênico, de ação mais local do que sistêmico. “Um trabalho comparou o DIU de cobre e o SIU com LNG com relação à função sexual e não encontrou diferença estatística entre ambas as usuárias”.

De um modo geral, a ginecologista elucida: “Se o método escolhido pela paciente está causando impacto em sua vida sexual, ela não deve hesitar em procurar um profissional habilitado para uma conversa o mais breve possível pois o sexo além de trazer prazer faz bem para a saúde”.

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