Uma pesquisa feita pela Sociedade Alemã de Oftalmologia apontou que as mulheres choram mais do que os homens. Enquanto eles choram cerca de 17 vezes ao ano, elas choram entre 30 a 64 vezes. Muitas dessas lágrimas vêm em discussões e conversas difíceis, quando fica complicado para algumas de nós segurar o choro.

A psicóloga Alessandra Augusto explica que isso acontece quando nos desconectamos do lado racional e nos conectamos com o nosso lado emocional. “Existem conversas difíceis com carga emocional muito grande e quando discutimos, nossas emoções ficam mais intensas, facilitando o descontrole e algumas pessoas reagem com o choro. Chorar nesse caso é uma expressão do excesso da emoção vivida naquele momento. E muitas vezes colocamos lagrimas, aonde faltam palavras”.

Ela elucida que chorar em conversas difíceis não significa que a pessoa é fraca. “Ela pode perder a razão e credibilidade sim, mas isso não é sinônimo de fraqueza. Demonstra apenas que ela precisa desenvolver habilidades emocionais para lidar melhor com a situação e não perder o controle de suas reações diante da situação difícil”.

Ela adiciona que isso se aplica até a pessoas mais racionais, com temperamento forte ou explosivo. “Afinal, até mesmo elas podem passar por momentos ou fases difíceis e acabarem por apresentar um descontrole emocional, chegando ao choro. Isso pode ocorrer por serem mais suscetíveis a rápida variação de humor”.

A especialista adiciona que, de um modo geral, pessoas que não estão bem na vida pessoal; que apresentam sentimentos como estresse, raiva, angústia, tristeza ou baixa autoestima; pessoas em dificuldades financeira e nos relacionamentos afetivos, ficam mais suscetíveis a perder o controle de suas emoções. “Não é fácil alinhar todas as áreas da vida e ser feliz em todas. Então evite discussões com membros da família, amigos e pessoas que tenha um envolvimento afetivo, essa atitude evitará o choro até que organize suas emoções”.

Há técnicas para que a pessoa consiga passar pela conversa ou discussão. “Ela pode utilizar o que eu chamo de ‘frio emocional’. Não é discutir, mas acalmar e então retomar o diálogo. A partir daí, ela deve deixar o lado emocional falar mais alto”.

Ela adiciona que colocar o choro para fora é importante para não acumular tensão e mágoas, mas que desenvolver habilidade emocional fará com que a vontade de chorar no momento em que se deseja falar diminua. “Desse modo ela irá recuperar a confiança em si e a credibilidade nas argumentações”.

A psicóloga elabora dicas práticas para que a pessoa consiga ter conversas difíceis. Confira:

Comece a conversa de forma positiva: Diga que está ali para resolver e que certamente às duas partes chegaram ao entendimento.

Ouça antes de falar: Não atropele o discurso do outro, isso deixa os ânimos alterados e deixam de ouvir as argumentações que levaram ao entendimento.

Organize os argumentos: fale de forma pausada, clara e objetiva.

Mantenha o mesmo tom de voz: isso demonstra segurança e controle de suas emoções.

Cuidado com atitudes defensivas: é uma atitude de autoproteção, isso fará com que o seu corpo entre em alerta ao perigo. Apresentara sinais de nervosismo e tensão.

Evite olhar diretamente nos olhos da outra pessoa: escolha um outro ponto na face e fixe, não desvie o olhar para os lados, isso pode intensificar a discussão, passando a impressão de descaso.

Se perceber que está desconfortável: Respire como se estivesse enchendo um balão no abdome, é uma técnica de respiração relaxante em momentos de pico de ansiedade. E se o choro for inevitável, peça para sair do ambiente, use o ‘’freio emocional’’, isso vai desacelerar os pensamentos, organizar as emoções, regular sua oxigenação e terá a oportunidade de avaliar se deve continuar ou não a conversa.